À tona

Sua vinda me fez perceber
Sua dor me fez sofrer
Queria tanto te merecer
Mas você não pôde me ter
No seu lugar queria estar
Pensando bem, não quero mais
Você lida melhor com isso
E eu, covarde, não vou jamais
Te pertencer ou ter você
Me deixar ser alguém que eu não quero ser
Tantas reviravoltas e lá estamos de novo
Não era pra ser assim, mas assim te tomo
Como uma água que por dentro está
Podre demais, pois ferida está
O sangue desce, e você não vê
E eu observo você ter prazer de sofrer
Seu mundo é diferente, e eu sabia
Mas não queria sair da agonia
Que me matava aos poucos, mais e mais
E, com certeza, nunca me satisfaz
A minha pena me engoliu
E no seu mundo, você sumiu
Parecia ter medo de me perder
Mas era a sua vida que não queria ver
Um pedaço que não era tão sofredor
Mas, mesmo pequena, era uma dor
E eu tentava, mas não conseguia
Seu orgulho olhava pra mim e ria
Desculpa! Sinto muito! Foi péssimo!
E agora conto, sem mais acréscimo
Eu estou indo, e você sabia
Que, em algum momento, esse dia chegaria
Eu peço, pela milésima vez, perdão
E agora morra na solidão
Que você quer e não se afasta
Que chega perto, se jogando nas traças
Eu não aguento assistir isso
Não quero morar no teu abismo
Sou uma gota que cai e vira lama
Mas um dia reflete e se estranha
Se torna vapor, querendo ir
Sem a sujeira, sem você perto de mim
Meu adeus, estou subindo
Espero um dia ver você sorrindo.

                                                              -Mai Monteiro

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